Desculpa
Aula iniciada, nos colocamos todos em círculo, conversando sobre as dificuldades das últimas atividades.
Eis que surge atrasado, o João. Com o olhar, me pede permissão para entrar.
Vem e me fala baixinho:
- Tia, me atrasei porque briguei com a minha mãe.
Tem os olhos cheios d'água. Nervoso, novamente com o olhar, pede ajuda.
Respondo:
- Ô João, fica assim não. Vai lá ligar pra ela e dizer que está tudo bem!
Ele vai, e um tempo depois, surge mais calmo. Entra na roda e em pouco tempo já está sorrindo junto aos colegas.
Ao final da aula, pergunto se deu tudo certo com a sua mãe.
João, agora com as lágrimas pulando dos olhos, me diz que sim:
- A gente tem que aprender a pensar antes de falar, né, tia?
E eu segurando as lágrimas que me vinham correndo pelos olhos, só consigo responder:
- É João, e também aprender a pedir desculpa, que ser gente as vezes escapa do nosso controle.
Espaço para a divulgação e troca de ideias, opiniões e dicas para se Ensinar História
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sexta-feira, 22 de agosto de 2014
domingo, 10 de agosto de 2014
Griots e Griottes - Tradição oral e ancestralidade na África
GRIOTS E GRIOTTES
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| Povo do oeste da África, com Griots ao centro (de branco) - incício séc. XX |
Quem são?
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| Desenho do Griot Djeli |
Os griots(homens) e griottes(mulheres) são figuras importantes em diversos povos da África oeste, como os Mandê, Mandinga, Songhai, entre outros. Dizem que são contadores de histórias, mas são mais do que isso. Os griots e griottes são responsáveis por fazer a manutenção das tradições: contar as histórias passadas, passar ensinamentos, ensinar diversos conhecimentos e trazer as notícias de outros povos. Geralmente, utilizam-se da música, com o instrumento de corda chamado Kora, para encantar as histórias que cantam e contam. São também chamados de "guardiões da cultura oral africana".
Como se tornar Griotte ou Griot?
Geralmente, para se tornar uma griotte ou um griot é necessário ter nascido em família de griots. Assim, desde que nasce, o indivíduo é ensinado nas diversas artes e conhecimentos passados pela tradição. Existem escolas que também ensinam como se tornar um griot através do contato com mestres antigos. Por fim, é importante que estejam sempre viajando, para aumentar o seu conhecimento sobre outros povos e histórias.
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* Até hoje os griots e griottes continuam trabalhando para a manutenção das tradições de seus povos.
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| Griotte Djeli a Bamako |
Fontes:
http://tpafrica-eng.blogspot.com.br/2009/08/griot-master-of-word.html
http://www.taringa.net/posts/videos/17687648/Griots-guardianes-de-la-cultura-oral-africana.html
http://babathestoryteller.com/the-ancient-craft-of-jaliyaa/an-introduction-to-orature/
https://www.bucknell.edu/Documents/GriotInstitute/What%20is%20a%20Griot.pdf
Curso de História do Rio - Gratuito
Curso de História do Rio - do valongo à favela
O curso relaciona-se às discussões apresentadas na exposição "Do Valongo à Favela: Imaginário e Periferia", oferecendo a professores, estudantes, historiadores, pesquisadores e interessados em geral um panorama diversificado do pensamento contemporâneo sobre a história do Rio de Janeiro.
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| Foto da obra de Lucas Parente e André Parente
16/08 - Aula I - Cidade, arte e política: as transformações do pós-guerra com Prof. Dr. Nicolau Sevcenko (USP)
23/08 – Aula II – Um século de favela Prof. Dr. Marcos Alvito Pereira de Souza (UFF) 06/09 – Aula III – O povo de Cam e as rameiras: escravidão e prostituição no Rio de Janeiro com Prof. Dr. Luiz Carlos Soares (UFF) 13/09 – Aula IV – Escravidão, Cativeiro e Quilombo Profª Drª Hebe Maria Mattos de Castro 20/09 - Aula V – Ritual na arte afro-brasileira Roberto Conduru (UERJ)
Inscrições aqui.
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segunda-feira, 21 de julho de 2014
Curso de extensão em Gênero e Diversidade na escola - UFRJ
Estão abertas as inscrições para o curso GÊNERO E DIVERSIDADE NA ESCOLA no segundo semestre (agosto a novembro) de 2014, O curso inclui discussões sobre diferença, sexualidade, gênero e racismo na educação, focando especialmente a ação institucional, o currículo e a prática pedagógica. O objetivo é empoderar profissionais de educação atuantes na rede básica de ensino para promover uma reflexão crítica e transformar práticas pedagógicas hoje racistas, machistas, sexistas e homofóbicas.
Serão organizadas turmas em diversos pólos: no Rio de Janeiro (Botafogo, Centro, Cidade Universitária - Ilha do Fundão e Maré), em Duque de Caxias, Itaboraí e Magé. O curso Gênero e Diversidade na Escola tem carga horária de 120h, inteiramente presencial e gratuito. É dirigido a todos/as profissionais que estejam atuando diretamente em escolas da rede pública de educação básica – professores/as, gestores/as, diretores, coordenadores/as pedagógicos/as, orientadores/as pedagógicos/as ou educacionais, técnico-administrativos e apoio, além de profissionais que estejam em órgãos de gestão, como secretarias e coordenadorias de educação. Outros profissionais, estudantes, pesquisadores e integrantes de movimentos sociais também podem se inscrever.
O curso é uma realização da Universidade Federal do Rio de Janeiro, através do Projeto Diversidade Sexual na Escola. Esta edição conta com financiamento do Ministério da Educação.
quinta-feira, 17 de julho de 2014
Os bárbaros, ontem hoje - Etnocentrismo, racismo e xenofobia
bárbaro
| Representação de Guerreiros Germânicos (século I a.C.) |
adjetivo
1. Cuja cultura medeia entre a dos civilizados e a dos considerados selvagens.
2. Próprio de quem não é civilizado.
3. [Figurado] Rude.
Quem eram os bárbaros?
Porque eram chamados de bárbaros?
A definição acima, atrelada às questões, foram base de importante discussão em minha de turma de 7º ano.
Começamos, com a investigação dos povos germânicos e a nominação que receberam por parte dos romanos.
Partindo do pressuposto de que bárbaros eram aqueles não pertencentes ao Império Romano, sobretudo os povos Germânicos, trabalhamos a idéia de etnocentrismo e xenofobia.
Etnocentrismo = visão de mundo, em que o código de quem observa é tido como superior ou forma correta de se perceber a realidade;
Xenofobia = aversão aquele que é estrangeiro;
A partir dessa discussão inicial, trouxemos o debate para a nossa realidade.
Em que situações de nosso cotidiano, vemos atitudes semelhantes a que vimos entre Germânicos e Romanos?
Foi fácil chegarmos à questão do racismo, sobretudo por ter uma maioria de alunos negros nesta turma. Trouxemos relatos e experiências e a partir desse debate inicial, vimos o curta "Vista minha pele", que inverte a situação do racismo no Brasil. Na ficção, Joana, é uma menina branca num país de uma elite negra. Esse exercício de inversão, permite descortinar alguns traços do racismo cotidiano, que acabam por passar despercebidos para muitos.
A discussão continuou e vem dando importantes frutos até agora!
domingo, 29 de junho de 2014
domingo, 15 de junho de 2014
Assembléia em sala de aula - Grécia - Sugestão de Atividade
A assembléia é uma forma de decisão participativa através de grupos de pessoas. A etimologia da palavra é do latim assimulare(juntar), trazendo uma noção de reunião de pessoas com ideias semelhantes, ou ainda de um mesmo grupo social.
É difícil precisar a sua origem mas certamente, encontraremos na Grécia clássica, diversas referências a essa forma de organização social e política. Era o caso por exemplo, da Bulé e da Eclésia.
Em nosso dia-a-dia, fazemos uso em diversas instâncias das assembléias. Elas inclusive, figuram o nome de alguns de nossos espaços políticos como as Assembléias Legislativas.
Sugestão de Atividade - Assembléia com as turmas
Ao final do trimestre escolar, resolvi propor em minhas turmas do Ensino Fundamental, uma assembléia para que pudéssemos avaliar o nosso trabalhos nesses três meses.
1ª Etapa - Apresentação
Trabalhar o conceito de assembléia. Trazer o histórico e explicar como a mesma funciona. Aqui, abre-se uma possibilidade imensa de debate acerca da democracia atual, os processos desigualdades sociais e a lógica de representação política partidária.
2ª Etapa - Pauta
Apresentar a pauta da assembléia. No nosso caso, trabalhamos os seguintes pontos:
- Avaliação da turma - a professora avalia a turma e os alunos comentam a fala;
- Avaliação das aulas - os alunos avaliam as aulas e a professora comenta as falas;
- Regimento - rever o regimento proposto na primeira semana de aula;
- Desejos para o próximo trimestre - os alunos escrevem em papéis aquilo que desejam para as nossas aulas.
3a Etapa - Realização da assembléia
Utilizei cerca de uma hora para a atividade, mas dependendo da discussão é possível flexibilizar para mais ou menos tempo.
*dica: para organização das falas, é interessante que algum aluno fique responsável pela organização das inscrições. Em nosso caso, contamos com a ajuda de estagiários de Prática de Ensino em História da Universidade Federal Fluminense - UFF.
Impressões
A proposta de assembléia foi trazida, no sentido de chamar os alunos à responsabilidade de nosso processo de ensino-aprendizagem. Brinco com eles, que sem eu ali, não há aula. Também se eu estiver sozinha, sem os alunos, a aula não acontece. É por isso, que valorizo junto às minhas turmas a noção de coletividade. Sem eximir-me de minhas responsabilidades e lugar de professora, mas flexibilizando a responsabilização total do professor em possíveis casos de dificuldades e fracassos. Ao permitir que os alunos participem dessa construção cotidiana e ao compartilhar as minhas angústias e dificuldades, sinto que nos aproximamos. Desse modo, em roda, somos todos, alunos-professores e sentimos, que por momentos, as paredes da escola se mostram apenas de forma imaginária.
Lembrei, assim, do Ubuntu (com essa imagem acima) Zulu, que traz a noção de que as parte individuais só existem pois estão inseridas num tudo. Ubuntu, eu sou porque nós somos!
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