O Reino Cuxe esteve ligado diretamente com a história dos egípcios. Situado no atual Sudão, dominaram a região sul do Rio Nilo, então chamada de Núbia. Foram dominados pelo grande império egípcio e também os dominaram por mais de um século. Uma das características dos cuxitas é o fato de não fazerem distinção de poderes entre homens e mulheres. Podemos dizer então que coexistiam os sistemas patriarcais e matriarcas.
Quando eram líderes, as mulheres recebiam o título de Candace (que significa Rainha-Mãe). Elas eram responsáveis também pelas estratégias militares do exército. Para saber mais:
Povo do oeste da África, com Griots ao centro (de branco) - incício séc. XX
Quem são?
Desenho do Griot Djeli
Os griots(homens) e griottes(mulheres) são figuras importantes em diversos povos da África oeste, como os Mandê, Mandinga, Songhai, entre outros. Dizem que são contadores de histórias, mas são mais do que isso. Os griots e griottes são responsáveis por fazer a manutenção das tradições: contar as histórias passadas, passar ensinamentos, ensinar diversos conhecimentos e trazer as notícias de outros povos. Geralmente, utilizam-se da música, com o instrumento de corda chamado Kora, para encantar as histórias que cantam e contam. São também chamados de "guardiões da cultura oral africana".
Como se tornar Griotte ou Griot?
Geralmente, para se tornar uma griotte ou um griot é necessário ter nascido em família de griots. Assim, desde que nasce, o indivíduo é ensinado nas diversas artes e conhecimentos passados pela tradição. Existem escolas que também ensinam como se tornar um griot através do contato com mestres antigos. Por fim, é importante que estejam sempre viajando, para aumentar o seu conhecimento sobre outros povos e histórias.
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* Até hoje os griots e griottes continuam trabalhando para a manutenção das tradições de seus povos.
A assembléia é uma forma de decisão participativa através de grupos de pessoas. A etimologia da palavra é do latim assimulare(juntar), trazendo uma noção de reunião de pessoas com ideias semelhantes, ou ainda de um mesmo grupo social.
É difícil precisar a sua origem mas certamente, encontraremos na Grécia clássica, diversas referências a essa forma de organização social e política. Era o caso por exemplo, da Bulé e da Eclésia.
Em nosso dia-a-dia, fazemos uso em diversas instâncias das assembléias. Elas inclusive, figuram o nome de alguns de nossos espaços políticos como as Assembléias Legislativas.
Sugestão de Atividade - Assembléia com as turmas
Ao final do trimestre escolar, resolvi propor em minhas turmas do Ensino Fundamental, uma assembléia para que pudéssemos avaliar o nosso trabalhos nesses três meses.
1ª Etapa - Apresentação
Trabalhar o conceito de assembléia. Trazer o histórico e explicar como a mesma funciona. Aqui, abre-se uma possibilidade imensa de debate acerca da democracia atual, os processos desigualdades sociais e a lógica de representação política partidária.
2ª Etapa - Pauta
Apresentar a pauta da assembléia. No nosso caso, trabalhamos os seguintes pontos:
Avaliação da turma - a professora avalia a turma e os alunos comentam a fala;
Avaliação das aulas - os alunos avaliam as aulas e a professora comenta as falas;
Regimento - rever o regimento proposto na primeira semana de aula;
Desejos para o próximo trimestre - os alunos escrevem em papéis aquilo que desejam para as nossas aulas.
3a Etapa - Realização da assembléia
Utilizei cerca de uma hora para a atividade, mas dependendo da discussão é possível flexibilizar para mais ou menos tempo.
*dica: para organização das falas, é interessante que algum aluno fique responsável pela organização das inscrições. Em nosso caso, contamos com a ajuda de estagiários de Prática de Ensino em História da Universidade Federal Fluminense - UFF.
Impressões
A proposta de assembléia foi trazida, no sentido de chamar os alunos à responsabilidade de nosso processo de ensino-aprendizagem. Brinco com eles, que sem eu ali, não há aula. Também se eu estiver sozinha, sem os alunos, a aula não acontece. É por isso, que valorizo junto às minhas turmas a noção de coletividade. Sem eximir-me de minhas responsabilidades e lugar de professora, mas flexibilizando a responsabilização total do professor em possíveis casos de dificuldades e fracassos. Ao permitir que os alunos participem dessa construção cotidiana e ao compartilhar as minhas angústias e dificuldades, sinto que nos aproximamos. Desse modo, em roda, somos todos, alunos-professores e sentimos, que por momentos, as paredes da escola se mostram apenas de forma imaginária.
Lembrei, assim, do Ubuntu (com essa imagem acima) Zulu, que traz a noção de que as parte individuais só existem pois estão inseridas num tudo. Ubuntu, eu sou porque nós somos!
Ao trabalhar com a escravidão romana, no sétimo ano, construí um diálogo com a escravidão negra e suas formas de resistência. Assim surgiu o projeto "Quilombo Ontem e Hoje", que visa traçar um paralelo entre alguns quilombos e as atuais favelas no Brasil. Num primeiro momento, portanto, resgatamos a história dos quilombos no Brasil. Num segundo momento, construiremos relações entre algumas das favelas atuais e antigos quilombos. Trabalhamos com o formato de vídeos em slide-show e abaixo, a sugestão da atividade. Projeto "Quilombo Ontem e Hoje": 1ª Etapa Discutir com a turma o tema, o video do filme "Amistad" pode fomentar a discussão:
(Uma sugestão é a de trazer algum material escrito sobre a temática, ou ainda, trabalhar a partir de fontes)
2ª Etapa
Dividir a turma em duplas ou trios e acompanha-los à sala de informática.
Orientar a busca por imagens e escolha de músicas.
Editar o video no programa "Windows Movie Maker".
3ª Etapa
Exibição dos vídeos para discussão e auto-avaliação do trabalho realizado.
--> Abaixo, compartilho alguns dos vídeos que realizamos:
Em posts anteriores falei sobre a questão do racismo em sala de aula e a importância de inserirmos a discussão das opressões como parte dos currículos. Já ressaltei que o debate não deveria ficar restrito às disciplinas das humanas, já que as práticas e manutenções de opressões perpassam diversas esferas do cotidiano escolar e suas práticas. A motivação para meus posts aqui e o debate em sala se deu quando percebi diversas práticas de racismo na escola em que leciono. Essas, muitas vezes, são travestidas de bullying ou ainda de "zoação" por parte dos alunos, sem que os envolvidos tomem consciência, em alguns casos, de sua significação. Vale lembrar que vamos encontrar o racismo em diversas instituições, já que isso é uma marca de nosso cotidiano. Nessa atividade, busquei trazer a perspectiva do ser negro no Brasil a partir da auto-identificação. Como já havíamos trabalhados com o filme "Cores e Botas", já tínhamos um bom debate construído. Desse modo, trouxe para provocar a turma, dois videos. O primeiro, foi sugerido por um aluno que já o havia visto anos atrás e me disse ter ficado muito impressionado. "Vista minha pele" é um curta-metragem produzido em 2003. Nele, uma menina, Joana, vive as agruras de ser uma menina branca em meio a um universo dominante negro. A estratégia de inversão de lugares é incrível pois nos permite o exercício de olhar o outro de forma impactante.
O segundo, é um video produzido por uma artista americana que foca o movimento cada vez maior no país de mulheres negras em busca de assumir a estética capilar natural. Diante dos padrões massificados de uma estética dominante branca, os cabelos são alvo de uma forte aculturação. Presente também no Brasil, é cada vez maior o número de mulheres afrodescentes defendendo e assumindo os seus cabelos. Abaixo o video:
Após a sensibilização, trouxemos uma imagem (abaixo) do artista Carlos Vergara e mediamos uma série de impressões junto aos alunos. Começamos com a provocação " Que legenda você daria à essa imagem?". Vale assinalar que a imagem é da série "Cacique de Ramos".
Como atividade prática, pedimos que cada um dos presentes construisse o seu auto-retrato a partir do uso de papel cartão e carvão. Após o desenho, fizemos as seguintes questões: Como você se sente negra(o)? Quando você é negra(o)? Como você é negra(o)? As respostas foram articuladas aos retratos, abaixo algumas das nossas experiências:
Por Ana Beatriz Domingues e Walter Alves (Bolsista de Iniciação à Docência - FEUFF)
O Império Ashanti perdurou entre os anos de 1701 e 1896, situado no noroeste da África. Formado pelo povo Akan, eram guerreiros disciplinados e grandes mineradores de ouro. Tinham relações comerciais com o Império do Mali e ficaram muito ricos nessas trocas. Com o contato que tiveram com os ingleses, passaram a incorporar as armas de fogo em seus armamentos e em suas guerras.
Na religião, bastante diversificada, há a crença em deuses, feiticeiros e espíritos da floresta.Nyame, o deus supremo, criador das florestas e animais tem sol como seu olho direito, que abre durante o dia, enquanto a lua é o seu olho esquerdo.Anansi, "o aranha" é seu filho, um herói popular que trouxe os cereais e a enxada aos humanos e ensinou-lhes a cultivar.
A mítica Kumasi, Capital do Reino Ashanti
No começo do século XX, entraram em guerras com o
povo Fanti e com os ingleses, sendo derrotados e anexados como colônia da
Inglaterra em 1901.
Hoje, habitam o país de Gana e permanecem com
muitas de suas tradições. A monarquia Ashanti ainda existe e é muito respeitada
pela população do país.
Atividade - RPG do Povo Ashanti
Essa atividade derivou de uma proposta da Bolsista de Iniciação à Docência da UFF, Deborah Borges. Como já havíamos trabalhado com um RPG no ano anterior, pensamos em desenvolver melhor a ideia do jogo à partir da temática de África.
Etapa 1
Trabalhamos com um material complementar sobre o povo Ashanti de forma expositiva, posteriormente, exibimos um episódio do desenho animado Super Shock, que trata exatamente do contato do protagonista com o antigo Reino Ashanti em Gana.
Etapa 2
Pedimos que a turma se dividisse em grupos e criasse um personagem ambientado na temática que estávamos estudando. Também foi pedido que criassem avatares feitos de massinha de modelar.
Um de nossos alunos criou o tabuleiro do mundo em que iríamos jogar. No dia do jogo, posicionamos a turma em círculo, em volta do tabuleiro, de posse doa avatares e dados, iniciamos o jogo. O mestre do nosso RPG foi o Bolsista de Iniciação à Docência Walter Alves. O processo foi incrível!
Será que é possível afirmar que existe uma árvore símbolo do continente africano? Em muitos livros e sites de cunho didático encontramos a associação do Baobá com a África. No entanto, temos que contextualizar a diversidade física e natural africana e problematizar como esse símbolos são construídos.
Pesquisando material audiovisual sobre o tema, encontrei o programa "Um pé de quê", apresentado pela Regina Casé, costuma ser veiculado no Canal Futura e é bem legal para se utilizar em sala de aula. Trazendo não apenas a diversidade natural como também a diversidade social e linguística, o programa ajuda a questionar esse simbolismo da árvore Baobá (também chamada de Xibuio, Xumuo, Imbondeiro, entre outros nomes), originária do sudeste africano.
Griot é como são chamados, em alguns povos da África, os contadores de histórias. Possuem uma função especial que é a de narrar as tradições e os acontecimentos de um povo. O costume de sentar-se embaixo de árvores ou ao redor de fogueiras para ouvir as histórias e os cantos, perdura até hoje. Os griots também são músicos e muitas vezes as narrativas são cantadas. O Império Mali, sob o comando de Soundjata Keita, por volta do século XIII confere importância notável a esses sábios. A construção da história de base oral é marca dos povos africanos antigos e o griot tem papel fundamental em sua estruturação.
Abaixo dois videos com Griots, o primeiro proveniente da aldeia Yelekela no Mali e o segundo com Angelo, griot de Guiné Bissau.
A COART e o Coletivo Palmares convidam para o Seminário: 125 anos de abolição - Cultura Negra, Educação e Ações Afirmativas no Brasil. O evento acontece nos dias 13 e 14 maio na UERJ-Maracanã.
PROGRAMAÇÃO
**13/05 OFICINAS COM VAGAS LIMITADAS
**14/05 OFICINAS COM VAGAS LIMITADAS
SEGUNDA-FEIRA 13/05
14h - Oficina de Jongo - Professor Messias Freitas
A oficina de jongo tem como objetivo apresentar a dança, música e ritmo como
manifestação cultural dos negros africanos e afro-brasileiros escravizados no Brasil,
desde a origem dessa manifestação nos cafezais da região do Vale do Paraíba até os
dias atuais.
14h - Oficina de Cantação de História – Coletivo Palmares.
O objetivo dessa oficina é abordar de forma lúdica a diáspora africana no Brasil e o
contato do negro com o povo de origem (índio) do território brasileiro. Através do griot (contação de história), são abordados diversos elementos que compõem a história (tráfico negreiro, dizimação indígena etc.) e cultura (valorização da música, dança etc.) do povo brasileiro.
18h - Mesa - Educação, Racismo e Ações Afirmativas:
A mesa tem por objetivo a discussão sobre os (des)caminhos da educação no
combate ao racismo e o debate sobre a importância das ações afirmativas /
políticas compensatórias no Brasil.
*Stela Guedes - Professora da Faculdade de educação da UERJ/ Maracanã
*Renato Emerson - Professor do Departamento de Geografia da Faculdade de Formação de Professores - FFP / UERJ
*Jorge Conceição - Educador Popular - Uniram / BA
20h - Atividade Cultural - RODA DE JONGO ( Messias Freitas)
TERÇA-FEIRA 14/05
14h - Oficina de Graffiti - Professor Rodrigo
A oficina de graffiti tem como objetivo evidenciar aos participantes sobre o significado dessa manifestação artística em espaços públicos. Através da oficina, serão trabalhadas técnicas de pintura, com objetivo de estimular o desenvolvimento criativo dos participantes. Será também abordado o panorama histórico dessa manifestação a fim de quebrar tabus e desconstruir preconceitos.
14h - Contação de história através do audiovisual - Mãe Torody.
A atividade será mediada pela Mãe Torody, uma das articuladoras para criação e
implantação da Lei 10.639, a partir da apresentação do vídeo “Navio Negreiro” que
aborda o legado cultural da diáspora africana no Brasil. O objetivo é valorizar a história
e cultura afro brasileira através da ancestralidade e oralidade presentes no vídeo.
18h - Mesa - Cultura de Rua e Cultura Popular Tradicional.
A mesa tem como objetivo desenvolver o debate acerca da arte e da cultura de
rua, através do resgate da influência dos saberes dos negros na conformação
da cultura popular brasileira. Além disso, visa debater a importância das manifestações culturais afro-brasileiras como instrumentos de luta e resistência.
*Denílson Araújo - Professor do Departamento de Geografia FFP / UERJ
*Marcelo Coqueiro - Professor de Capoeira Angola.
*Aureanice de Mello Corrêa - Professora do Departamento de Geografia e Diretora do Insitituto de Geografia UERJ/Maracanã.
20h - Atividade Cultural - RODA DE CAPOEIRA ANGOLA (Professor Marcelo Coqueiro)
Daqui a algumas aulas entrarei na África, antes da chegada dos europeus, com meu alunos do 7o ano. Estava pesquisando informações e vi o Coletivo Palmares postar esse Mapa Interativo sobre distintos reinos existentes no continente africano e seus diversos inventos e tecnologias.
O que achei mais interessante foi o foco na questão da tecnologia. Em sala de aula, é comum os alunos associarem esse termo à modernização. Assim, acabam atrelando atualidade às tecnologias sem compreendê-las em seu percurso histórico. Walter Benjamin, filósofo alemão, afirmava que com o processo de consolidação do capitalismo na Modernidade, o Mito do Progresso vinha acompanhado de promessas de redenção.Uma questão interessante de se levantar é "Será que o desenvolvimento tecnológico garante, necessariamente, a qualidade de vida?". Fica a provocação!